// QUINZENA 02 · HABITAR
Todo projeto começa e termina no corpo — ou deveria.
Arquitetura sempre foi uma leitura do espaço a partir do corpo. Sempre foi. Mas uma nova geração, criada dentro das telas, está perdendo essa referência — e não por má vontade. Simplesmente cresceu sem ela.
Faço um exercício simples. Desenho três quadrados iguais e pergunto: qual é o maior? A resposta parece óbvia. Depende. Só depende quando um corpo entra no desenho — em pé, sentado, apoiado. Aí a mesma figura ganha três tamanhos diferentes. É o homem que dá escala às coisas. Sem ele, é apenas geometria.
As telas de hoje projetam sozinhas. A IA renderiza imagens que convencem antes do projeto resolver o que precisa resolver. É bonito, é rápido — e é ruim para o arquiteto, se ele esquecer de perguntar “e a pessoa que vai morar aqui?”. Nenhum algoritmo carrega a história de quem vai habitar o espaço. Essa é a matéria que só o arquiteto humano traz. Continuo desenhando à mão para não esquecer disso.

Onde ficou o homem nos projetos que fazemos hoje?
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